Professora da UPE vai receber título de cidadã pernambucana

Professora dos cursos de Ciências Sociais, Educação Física, Direito e Enfermagem, Vânia Rocha Fialho de Paiva e Souza atuou na Universidade de Pernambuco entre 1994 e 2019, quando requereu aposentadoria. No período em que esteve na instituição, empenhou-se em trazer a temática indígena para a formação dos estudantes, contribuindo para a criação do curso de licenciatura em Ciências Sociais, onde deixou a sua marca na UPE. Nascida no Rio de Janeiro, ela se tornará oficialmente cidadã pernambucana por solicitação do deputado estadual Isaltino Nascimento (PSB).

A concessão do título honorífico está na etapa final de tramitação na Assembleia Legislativa. Será um reconhecimento à educadora que veio morar no Recife aos dez anos de idade. Na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), graduou-se em Ciências Sociais em 1986. Na mesma instituição fez também mestrado em Antropologia (1987-1992) e doutorado em Sociologia (1998-2003).

Como antropóloga, ingressou por seleção na Fundação Nacional do Índio (Funai), onde contribuiu na demarcação de terras indígenas nos estados de Pernambuco, Paraíba e Ceará. Em Pernambuco, ajudou os povos Xukuru do Ororubá, Kambiwá e Pipipã a conquistarem seus direitos socioterritoriais em um período decisivo antes da promulgação da Constituição Federal de 1988. Sua relação com o tema tem origem familiar. Seu pai, um militar do setor de engenharia do Exército, registrou o contato com indígenas durante o processo de construção da Transamazônica, na década de 1970.

Com a experiência nos processos de regularização fundiárias das terras indígenas, realizou os primeiros estudos antropológicos para regularizar territórios quilombolas no estado. Castainho (1997) e Conceição das Crioulas (1998) permanecem ainda como os dois únicos territórios quilombolas titulados em Pernambuco. 

Vânia mantém vínculo na Universidade de Pernambuco como integrante do corpo docente do mestrado em Culturas Africanas, da Diáspora e dos Povos Indígenas, no Campus Garanhuns. Trata-se do único mestrado profissional na área da Antropologia no Brasil. Ela também dedica-se atualmente ao Projeto Nova Cartografia Social, cujo núcleo estadual é por ela coordenado, onde são produzidos mapas que dão visibilidade a segmentos marginalizados sobre os territórios em que vivem e do seu potencial de mobilização. Mais detalhes sobre sua biografia podem ser conferidos no texto que justifica o pedido de título na Assembleia Legislativa. Ele pode ser acessado clicando aqui.